
Diversidade. Há que gostar das coisas programáticas, esteticamente rigorosas, com uma austeridade quase dictatorial que faz com o que a emotividade e imagética que transparecem para fora serão sempre limitadas por esses vectores. Do mesmo modo, o extremo oposto, da liberdade, da expansividade sem limites, os cantos que não são cantos, dos quadrados redondos, do fluir sem programação têm também o seu espaço especial.
Quando os dois se misturam, temos um trabalho genial como este último de Caribou, intitulado ‘Swim‘. Vindo de alguém um doutoramento em Matemática, é difícil pensar que uma base tão estruturada de pensamento produzisse um álbum em que a primeira impressão que temos é o de um fluir tão despreocupado mas ao mesmo tempo tão rico e com uma pormenorização imensa que facilmente nos perdemos se tentarmos ouvir com uma atenção exagerada e não nos deixamos levar pela orgânica e fluidez do álbum.
Após as sucessivas vezes que o ouvi, comecei a interiorizar que a própria despreocupação, evolução e constante mutação em cada faixa é parte da preocupação principal de Caribou e a ponte com algo mais estruturado, se bem que essa imposição acaba sendo num extremo oposto de modo a fazer com que a música soe a tudo, menos algo feito por um ser humano. A complexidade de sons, tons, instrumentos, formas, barulhos, cores e texturas faz com que seja redutor tudo o que possa tentar elogiar neste trabalho, de cada vez que volto a ouvi-lo fico com a sensação que das outras vezes perdi-me noutros caminhos menores e agora é que é, como tinha sido da última vez.
O álbum pode ser escutado de borla e legalmente, no soundclound de Caribou.
Abaixo, o clip da faixa inicial Odessa e um mix especial feito por Caribou para o blog Allez Allez.